Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007
fauna e flora

Todos os dias vejo um chileno novo aqui em casa. Desconfio que das duas, três ; ou estes manos andam a fazer tráfico de orgãos ou de xilofones. Provavelmente a Embaixada do Chile em Madrid mudou-se aqui para casa, e os moços esqueceram-se de me avisar. Coisas que acontecem, pá.
Camaradagem e tal a todos os seus patricios que chegam perdidos a Barajas, pois isto afinal o apartamento até é grande e ainda cabe pessoal na banheira.

A escocesa retira prazer sexual da comida. Certo dia estava eu afeitando o pelo (fazer a barba) quando começo a ouvir gemidos vindos da cozinha. Intrigado, fui passajando pelo corredor fora - olha tu queres ver que tá na palhaçada com as bananas..?? Afinal não, a moça estava a deleitar-se sim , mas com um iogurte. Mais tarde vim a aperceber-me que se deleita com quase tudo; chá, cereais, fruta, carne.. é tudo hummmmm e mais hummmm e mais hummm. Mas uma coisa debitada em altos décibeis, chega a ser confrangedor estar perto da moça quando faz as suas refeições.

O espanhol não fecha bem a mala. Diz o gajo que é actor, embora esteja a escrever um livro de suspense que se passa em 2030, que segundo ele o vai deixar mais famoso que o Julio Iglésias. Normalmente, levanta-se pelas 20.30, canta um bocadinho de ópera e vai mudar a água a um bicho que tem dentro de uma gaiola que me parece um esquilo. Tem teorias sobre quase tudo o que gravita no planeta terra, incluindo o degelo lunar que segundo ele está para acontecer a qualquer altura.


zurzido por j-adn às 14:08
linker | teorizar | vizualizar o comentarismo (2) |
|

Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007
tempo de ver

Faz 10 anos que morreu Paulo Francis . Fico fodido. Fico fodido, por só depois de ter saido do Brasil ter descoberto todo um Brasil que não sabia. Fico fodido por ter vivido um Brasil muito descartável, muito americanizado, pé na praia e conversa de churrasco. Durante 1 ano, conto pelos dedos de um pé os bons livros que li, as boas conversas que tive. Escutei algumas boas, mas poucas. Foram demasiadas horas sozinho comigo mesmo, houve inclusivé uma altura em que deixei de me falar, chateei-me comigo. Tava um chato da porra, insopurtável.
Da vivência, vejo agora de longe todo um lugar que nunca entendi muito bem, talvez porque nunca quisesse verdadeiramente entendê-lo. Ou talvez porque tivesse demasiado ocupado em saber o que pensar de tudo aquilo. Descubro agora Arnaldo Jabor, Rafael, Millôr Fernandes, Soares Silva, Bruno Garschagen, Diogo Mainardi. Fico fodido.
Descubro toda uma movida cultural, que só porcamente a conhecia dos poucos filmes que vi. Bom cinema, valha-me isso. Pouco recordo da cidade em que vivi. Talvez fosse isso. Disseram-me e avisaram-me que aquela cidade era um pouco de tudo e um pouco de nada. Não gosto de coisas assim. Meio termo. Ou é bom, ou é uma merda. Meio termo fica sem graça, sem saber o que fazer, sem saber o que pensar.
Seria da cidade? Ou seria da minha formatação tacanha demasiado portuguesinha para viver tudo aquilo? Porque será que não vi esse Brasil de que eles falam? Não sei. Que se foda. Quem vive do passado é museu. Tento convencer-me que aprendi qualquer coisa com tudo aquilo, que retirei alguma coisa. A ver vamos. Por agora leio-os ao longe, e fico fodido por não os ter conhecido lá. Fico fodido.


zurzido por j-adn às 13:25
linker | teorizar |
|

Domingo, 28 de Janeiro de 2007
a matrona
Entro por corredores cobertos de dourados velhos, tapetes comidos pelas solas, quadros de ilustrações baratas, cheiro a mofo. Diz-me que se ficar vou compartir o piso com um abogado e com um periodista.
Pergunto-lhe pela cozinha, e pelo ar ofendido julgo ter feito a pergunta errada.
-Pensas coziñar? Esso no me gusta.- explica-me que faz muito lixo, que nem pensar nessas algazarras.
Digo-lhe que sou um moço asseado, mas isso não a parece convencer.
Passamos á sala coberta de colchas de rendas nas costas dos sofás, de gatos de louça, de meia sandes que o filho mais novo comeu antes de ir para a escola. Observo objectos metálicos de aparência estranha em cima de uma mesa. Pergunto-lhe para que servem a titulo de conversa de ocasião.
- Isso és de mi trabajo.
-E a senhora faz o quê?
- Yo? Yo soy matrona. Ayudo niños a llegar al mundo.
Agradeço e saio porta fora.

zurzido por j-adn às 08:34
linker | teorizar |
|

Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006
nem sou de grandes causas
...mas um gajo até mete ali o logo da amnistia internacional de lado na coluna, e depois dizem que um individuo faz isto para parecer bem, para parecer que se importa, para transmitir aquela onda fashion-ya-urbano-mas-com-causas-mundiais-e-o-caralho, tás a ver?

De facto não acompanho grandemente o trabalho lá dos amnistiosos, mas pelo que vi no site andam com trabalho pela barba . Têm muitas causas para defender, montes de barulho para fazer, centenas de petições e manifs. Os moços não devem ter tempo para se coçar, tamanho o afã de causas pá! Afã!Boa palavra .

Geralmente não gosto muito de gente barulhenta, coisa que estes individuos pelos vistos são especialistas, manifs , cagaçal e tal. Isso normalmente é para aquelas manadas de extrema esquerda que estrabucha por tudo e por nada. Não gosto muito de me ralar com cenas que não controlo, com coisas que estão longe, que na realidade me estou bem cagando . Por isto mesmo, é que apoio os moços . De certa maneira admiro de forma preguiçosa, gente que está para se ralar e para fazer barulho.

Parecendo que não, a indignação é uma coisa que dá muito trabalho . Requer uma certa dose de esforço uma pessoa aborrecer-se com o que vai no mundo. Um individuo tem de puxar dos galões dos principios, ou então tem de inventar uns á pressão para perceber a lógica da coisa. Ainda bem que há pessoas como eles, pois se fossemos todos um bando de comodistas, o mundo estava bem fodido.

zurzido por j-adn às 11:41
linker | teorizar |
|

recepcionista


torre do tombo

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

tags

todas as tags

Support Amnesty International
blogs SAPO
RSS