Quarta-feira, 25 de Abril de 2007
Afinal foi engano, desculpe

Por estranho que pareça, em Espanha não se festejou o 25 de Abril. Nem houve feriado, nem cravos na lapela, tampouco desfile na Castelaña. Questionam-me alguns compañeros hermanos, que tanto festeja o nosso povo. Conto a história da revolução, dos cravos, da falta de sangue, das chaimites. História devidamente condensada e servida com o devido patriotismo exacerbado.
Estranham porém a falta de sangue. Talvez por habituados a conviver com o dito de tempos a tempos fruto de estilhaços diversos, custa-lhes a crer que se derrube um regime sem sangue.

Dando largas á estupidez, regozijada na vingança da falta de connaissance sobre seus vizinhos, decidi glamorizar a contenda, explicando-lhes que na altura devido á moda vigente de calças á boca de sino e camisas de flanela aos quadrados, tornava-se incrivelmente dificil andar á porrada. A moda não facilitava a destreza de movimentos, sendo os sapatos de tacão outro natural impedimento para corridas no asfalto conforme exigiam as batalhas campais.

Era por isso natural, que conhecendo esta fraqueza ambas as partes, em altura de combate rapidamente chegassem a consenso, pois nenhum queria dar parte de fraco e mostrar-se ao inimigo batendo solas de tacão alcatrão fora, esperneando em bainhas elefantescas.
Para mais, conta a lenda que as fartas cabeleiras e bigodes eram não mais que um ingodo para distrair a atenção das farpelas, contando igualmente com boinas e outros acessórios afins de diversão.

Contei-lhes ainda que ao chegar ao Carmo, o nosso bravo Capitão apercebeu-se que se esquecera de mandar atestar a chaimite, restando-lhe menos que um quarto de depósito, portanto já insuficiente para subir á Praça de Espanha rumo á Mobil. Como na altura, ainda não tinham inventado a Assistência em Viagem á Chaimite, o nosso bravo Capitão viu-se obrigado a mandar estacionar a viatura por ali, fazendo depois o alarido que se conhece. Os impropérios do nosso Capitão dirigiam-se não só ao Furriel de serviço que se esquecera de atestar o depósito á saida de Santarém, como igualmente ao motorista não poupando a sua santa mãe, por agravar a situação enganando o caminho rumo á Costa da Caparica, vendo agora sua tarde de veraneio arruinada num beco lisboeta.


Ao ouvir a gritaria, o já duro de ouvido Presidente do Concelho julgou tratar-se de uma revolução, rendendo-se imediatamente ás ofertas de pancada. Foi assim, o velho sacripanta, a caminho do Brasil, onde tinha anteriormente adquirido um time-share em Manaus, vivendo o resto dos seus dias nos braços da sua amante amazona de seu nome Madinuza Aparecida, fazendo uns bicos aqui e ali a fim de descolar uma grana prós minos cumê, que tinham uma fome esgraçada quando raiava as hora do rango.

* Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade é uma merda de uma coincidência.


zurzido por j-adn às 13:00
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