Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007
Ensaio sobre o Alcovitarismo

Alcovitar

v. tr.,

servir de intermediário em relações amorosas;

inculcar;

mexericar;

v. int.,

servir de alcoviteiro;
intrigar.

 

" As alcoviteiras dedicavam-se a combinar casamentos e a desviar raparigas jovens para a prostituição. A actividade, proibida por lei (as ordenações manuelinas condenam-nas), era encoberta por uma série de outras, e, assim, as alcoviteiras diziam-se bordadeiras e fabricantes de cosméticos. Consideradas bruxas pela população, eram açoitadas em público. "

 

 

Segundo Theodore Zeldin " a reputação é o purgatório moderno ". Plena de actualidade, esta frase resume na sua gênese a explicação de fatia substancial do comportamento humano moderno.  Desde inícios da idade média, a reputação passou a assumir papel preponderante na constituição da sociedade enquanto estrutura base da vida dos povos.

Vivendo e convivendo em grupos sociais estratificados, os cidadãos passaram a definir papeis sociais, assumindo a moral e o bem viver como doutrina muitas vezes ditada pela religião.

 

Não será possível dissociar o papel da igreja, enquanto condutor e aglutinador da moral e costumes, servindo durante séculos como cânone sagrado disciplinador. A interpretação excessiva, aliás, como sempre, levou a extremismos e consequentes julgamentos e chacinas públicas. Nem vale a pena entrar pela Inquisição, senão nunca mais saiamos daqui, e acto continuo, as ratas teriam de voltar para a sacristia.

 

Até aqui tudo normal. História, pura história. O estranho mes amis (momento Mário Soares) , é que neste especifico, o comportamento humano pouco progrediu nos últimos séculos. Aos dias de hoje, século XXI, a reputação continua a assumir um papel exarcebado na sociedade moderna. Continuamos a assistir a uma pífia e ridícula tentativa pidesca (Bloco de Esquerda) de catalogar comportamentos.

 

Já dizia Jean Paul Sartre " o inferno é o outro, se o outro existe, a existência do homem está ligada ao pensamento, ao julgamento que o outro faz de si ". O que nos poderia levar a concluir, que o alcovitarismo é assim condição quase humana. Quero crer que não. Mesmo não entrando pelas megalomanias de Nietzsche sobre o Super-Homem, ainda assim há espaço para esperarmos mais da raça humana e da respectiva capacidade para viver em sociedade.

 

Sem consequentemente esperar arautos dos bipedes que povoam o planeta azul, sabemos reconhecer falsidade mesmo quando encapotada em bocas "pias". Por outras palavras, temos capacidade suficiente para distinguir os simples de espírito á maldade cobarde. Viremos o cubo do avesso; imaginemos a tristeza de uno se aperceber da mediocridade  e pequenez da sua própria vida, ao ponto de desperdiçá-la a maldizer a dos outros.

 

Pequenez. Essa é a palavra. Como disse Dick Corrigan, e bem " pessoas brilhantes falam sobre idéias, pessoas medíocres falam sobre coisas, pessoas pequenas falam sobre outras pessoas".

 

Tenho para mim, que as pessoas especialmente dadas ao alcovitarismo desenvolvem cús maiores. Explico; o tempo passado em mesas de café, sofás com novelas de cordel nas pernas, e a própria maledicência engolida vezes sem conta, aloja-se finalmente em torno da zona de expulsão anal. Parecendo que não, a própria mãe natureza defende esta sub-espécie ao dotá-la de almofadas naturais, sabendo-as necessárias á sua actividade mundana.

 

Vivemos hoje (se é que não foi sempre) o tempo do boato. Da calúnia cobarde e anônima. Que por estar invariavelmente coberta de ridículo, muitas vezes a única solução é o simples desprezo. Evidentemente, quando lançadas, estas farpas "inocentes" jamais equacionam o poder destrutivo que podem ter na vida alheia. Talvez não sejam afinal tão inocentes assim.

Sabendo-se refugiados no comentário anônimo entre-dentes, no diz que disse, ouvi dizer, desconfio, estes répteis sociais sentem-se seguros para assim evangelizar toda a sua retórica retorcida. Espelham nos seus alvos as suas próprias perversões, inseguranças, vilanagens, mirando assim um reflexo difuso das suas merdosas personalidades.

 

Pobre dos desgraçados que se dêem ao trabalho armar defesas.  Aos visados, diz o povo " quem não se sente não é filho de boa gente", e já se sabe que o povo tem sempre a sua cota de razão. Mas o povo também diz " nunca discutas com um imbecil, pois ele rebaixa-te ao seu nível e depois ganha-te em experiência", além da clássica " os cães ladram e a caravana passa". Isto tudo para concluir que para o mesmo problema, existem várias soluções, e que o povo além de bipolar é esquizofrénico.

 

Apontamento – apesar de na introdução deste breve texto, ser feita uma alusão ás alcoviteiras no feminino, penso ser notória a cada vez maior densidade de alcoviteiras de barba rija. Possivelmente influenciados pela índustria del corazon , ou quiçá por educações menos pródigas em princípios básicos, é visível a olho nu a profusão dos machos da espécie com queda para apoiar o cotovelo na janela da marquise.

 

Poderemos concluir que o individuo sofrerá desta fobia típica de meios pequenos e será refém de si mesmo, enquanto não desenvolver a capacidade de se abstrair do "conversê" alheio, principalmente quando o mesmo é usualmente impregnado de  requintes de malvadez. Até porque, nada mais fácil que denegrir a imagem de outro, assim alguém chame a si essa tarefa.

"Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter a oportunidade de se vestir." – Winston Churchill

 

Quanto ás sub-espécies (tecnicamente também conhecidas por gentis mal-fodidis,) que se alimentam destes pequenos nadas sociais, destinou Alá O Grande, calvário suficiente o vazio das suas próprias vidas. A própria seleção natural social, se encarregará de apartar estes para juntos dos seus, pois como é sabido a ninguém lhe cai bem a sensação de deixar a sala com medo do que aí se vai dizer na sua ausência.

Além de que, normalmente, pelos diâmetros exagerado dos seus cús, esta gente tem a natural tendência a ser muito flautulenta e isso apesar de cómico no inicio, passado uns tempos começa a chatear. A gosma largada pela viscosidade das entranhas destes parias enquanto sentenciam, é também altamente desaprecidada por donos de tapetes de arraiolos, pois dizem que as manchas são uma porra para tirar.

 

Longe Presidente, longe de querer armar em tão curtas estacas o altar moral, é talvez chegada a altura de declarar independência á imbecilidade. Ou talvez de apenas rufar os tambores dos bobos, clamando ao humor que salve o espetáculo da hipocrisia humana.

 

É sabido que no final a verdade é como o azeite, e como dá pouco jeito andar com púcaros atrás a fim de ferver tudo o que nos é cuspido, é talvez melhor solução ir soltando as diásporas hilariantes das teorias da conspiração . Para finalizar, não vou citar mais ninguém, pois esta missiva já tresanda a pedantismo bacoco... bom talvez só mais um.. e não é bem uma citação, portanto não conta; É rir meus caros! Afinal, como descobriu há séculos Honoré de Balzac, não há melhor comédia que a comédia humana.

 
(continua...ou talvez não)


zurzido por j-adn às 00:04
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Comentários:
De sampa a 9 de Novembro de 2007 às 00:07
brilhante!


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