Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007
curtas

hernani, que lhe assentou 2 tabefes por ocasião da abertura da sapataria central, já lhe tinha prometido arraial de pancadaria.

armindo plantou.se á porta da barbearia de punhos cerrados, olhar fixo nas pedras da calçada que num susurro lhe contavam quem passava.

na aldeia sabia-se que hernani não era homem de voltar atrás com a palavra. estava prometido, estava garantido.

a tarde caia vagarosa pelas colinas, vagueando luz nas pás das carroças, soprando brisa outunal. os cedros exalavam cheiros novos, pele arrancada de madura.

por detrás da sacristia da igreja, a figura de hernani apareceu decidida, passos firmes, faca de trinchar firme na mão direita, olhos hirtos na cara desgrenhada, apesar do tinto que lhe inundava as veias.

armindo levantou o cabo da vassoura como samurai, afastou as pernas para os impactos, posicionou-se para o embate que se avizinhava.

 

dessa tarde conta-se ainda hoje, que hernani nunca mais foi o mesmo. o caminho para a missa já não lhe saia da mesma maneira, as manhãs nasciam-lhe cinzentas e gozadoras. aquela sova de vassoura ficou-lhe cravada funda na alma. 

 



zurzido por j-adn às 21:49
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Comentários:
De lua a 8 de Outubro de 2007 às 22:46
obrigada pelo teu comentário. como fizeste um copy/ paste a sintonia que encontraste entre as tuas palavras e as minhas só tu saberás. obrigada pela partilha. por teres acrescentado a tua perspectiva. ou simplesmente pela escrita inteligente (mesmo quando, a meu ver, não casaste a bota com a perdigota ;) quanto a esta "crónica de uma sova anunciada": excelente :)


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